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CHAMADA DE ARTIGOS
Entre saias justas e jogos de cintura
Experiências de trabalho de campo de jovens antropólogas brasileiras
(Título provisório)
Prezadas colegas,
Somos duas antropólogas que nos encontramos no “campo” simultaneamente. À noite, depois de passarmos o dia todo zanzando pela cidade atrás de contatos, dados, convivências e entrevistas, sentávamos para escrever nossos diários e compartilhar as trajetórias, avanços e recuos do dia. Foram noites muito intensas e as discussões sobre o trabalho de campo nos inspiraram a pensar mais a fundo sobre o assunto.
Há um relativo silêncio atualmente sobre experiências de campo. O tema é encontrado de forma pulverizada, em uma grande e inicial nota de pé de página, um epílogo, uma orelha de livro, uma foto, um subitem de tese, um prefácio. Por isso, gostaríamos de dar visibilidade a reflexões sobre as dificuldades, as soluções, as saias justas, os jogos de cintura, a criatividade e imaginação, as estratégias de negociação que foram necessárias para que o trabalho de campo pudesse acontecer. Queremos estimular uma discussão mais sistemática de macro-estratégias (decisão pelo local do campo, formas de entrada etc.) e micro-estratégias (interações diretas com os informantes na observação participante, dilemas éticos cotidianos etc.). Claro que nossa referência é “Os Argonautas” de Malinowski e obras como “Women in the field:
Sentimos, portanto, a necessidade de conhecer as experiências que outras mulheres vivenciam e vivenciaram recentemente no trabalho de campo. Para tanto, vamos organizar uma coletânea de artigos de antropólogas brasileiras em formação (mestrandas e doutorandas) e recém-doutoras sobre como os trabalhos de campo vêm contribuindo para o desenvolvimento da antropologia brasileira, em específico, e para a produção de conhecimento, de forma em geral. A idéia é também contribuir teoricamente com colegas que estão começando na área. E, sobretudo, para além de uma mera descrição e coleção de experiências, desejamos promover uma análise sobre as mesmas.
Este é um projeto experimental e artesanal. Ainda não temos financiamento para a publicação do livro, mas já iniciamos o contato com algumas editoras e esperamos que, no momento que o manuscrito estiver composto, já tenhamos acertado com uma editora. Podemos dizer que, neste momento, é um empreendimento com o risco coletivamente compartilhado.
Esse projeto é uma tentativa de compartilharmos nossas experiências e romper o isolamento e a solidão, tão comuns no campo. Foi-nos muito profícuo e feliz trocarmos nossas vivências no campo e desejamos expandir esse sentimento.
Pedimos que essa chamada por artigos seja amplamente divulgada para suas redes e contatos. Alguns prazos foram definidos para que pudéssemos organizar nossas agendas:
- Novembro/2004 a fevereiro/2005: Divulgação da chamada por artigos.
- 1o de março/2005: Envio de artigos para as organizadoras da coletânea (por email: alinne@unicamp.br e soraya_fleischer@yahoo.com.br). Pedimos que os artigos tenham até 25 páginas A4, em espaço duplo e em Arial 12. As referências bibliográficas devem seguir as normas da ABNT.
- Março/2005 a abril/2005: Leitura e seleção dos artigos pelas organizadoras. Nós nos reservaremos o direito de manter a autonomia para escolher os artigos que melhor se adequarem ao perfil que planejamos. Vamos priorizar uma variedade de temas e locais de pesquisa, bem como as instituições de formação das antropólogas. Faremos sugestões e comentários aos artigos e os reenviaremos às autoras para uma última revisão.
- 1o de maio/2005: Envio da versão final dos artigos às organizadoras.
- Maio a junho/2005: Negociação com editora e publicação.
Esperamos que esta proposta tenha sido sedutora. Aguardamos as novidades até finais de fevereiro próximo. Um abraço,
Alinne Bonetti e Soraya Fleischer
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